Showing posts with label ingleses. Show all posts
Showing posts with label ingleses. Show all posts

Thursday, October 25, 2007

Os ingleses: uma antítese complexa e a ascensão dos "chavs"

Chegou a altura me deixar dos politicamente correctos e dissertar um pouco sobre o povo que bem ou mal me acolheu vai agora para 8 meses.

Antes de prosseguir, quero fazer uma distinção clara. Sei que existem muitas divisões possíveis, mas eu simplifico dividindo os ingleses em 2 grupos apenas: dum lado estão os ingleses simpáticos, bem-educados, cultos, tipicamente mais velhos e do outro estão os “chavs” e aspirantes a "chavs". Se por um lado o primeiro grupo foi quem contribuiu para levar este país para a frente tornando-o numa super potência económica e militar, já o mesmo não se pode dizer sobre o segundo que teima em crescer significativamente em números. Infelizmente no meu dia-a-dia extra laboral acabo por me cruzar sempre com os “chavs” e daí ter resolvido escrever este post. E quem são “chavs” pergunta o leitor? Ora, os chavs são todos o ingleses (eu diria que 70% dos dos jovens de ambientes urbanos) que não tendo usufruído de uma educação própria nem tão pouco apanhado uns açoites enquanto crianças, contribuem para denegrir a imagem dos seus congéneres junto de estrangeiros que como eu, chegaram com uma imagem dos ingleses e infelizmente abandonam este país com outra. Geralmente não gosto de generalizar e até critico quem o faz, mas a minha amostra é bastante significativa. E não é precisamente isso que cria o estereótipo de um povo? Afinal de contas os portugueses foram durante anos considerados o elo mais fraco da Europa muito por causa do típico emigra tuga de bigode, pouco qualificado, que era apenas uma parte da população, porventura a que menos representaria Portugal. Eu não vou tão longe! Caracterizo os jovens ingleses urbanos que residem no seu próprio país e com os quais me cruzo diariamente. Além do mais, depois dos sucessivos episódios que experienciei, tenho moral suficiente para apontar o dedo. E faço questão de o apontar porque “o meu copo transbordou”. Estou um pouco escaldado é verdade, mas escrevo este texto de cabeça fria, algo que com o tempo aprendi a fazer, ainda que nem sempre seja fácil. Posto isto, deixo-vos com o role de acontecimentos que presenciei ou vivi aqui nesta terra e que reflectem as apreciações que estou prestes a fazer:

- Logo numa das primeiras semanas aqui no reino vi um bando de 10 miúdos (diria mesmo que não teriam mais de 14 anos) a destruir uma montra de uma loja na minha própria rua a 500 metros de minha casa. Fizeram-no por diversão tendo fugido de seguida, enquanto se regozijavam com a sua acção.

- As lojas têm avisos na porta onde se pode ler: “É apenas permitida a entrada de um adolescente de cada vez. Proibida a entrada de grupos” ou “Proibido o uso de capuchos dentro da loja”, tudo devido a reminiscências de actos passados levados a cabo por esta gente.

- Os meus housemates aconselham-me a não sair de casa a pé depois das 21h por causa da má vizinhança e atenção que eu não moro num dos piores bairros! A verdade é que todos os bairros aqui são maus…

- Ainda numa das primeiras semanas vi um grupo de putos no maior centro comercial do UK arremessarem às pessoas, mais uma vez por diversão, molhos do macdonalds abertos, com o intuito de as sujar. Como geralmente evito mostrar medo e passei perto deles, foi-me dirigido um destes projécteis que no entanto falhou na direcção.

- Ouço histórias diárias de pessoas agredidas na rua ou em pubs. Um amigo meu foi mesmo esmurrado num bar sem nada ter feito e uma antiga housemate minha foi agredida a pontapé na rua em Leeds enquanto se dirigia para o carro. Tive ainda conhecimento de muitas outras histórias na 2ª ou 3ª pessoa. Em várias ocasiões, eu próprio ouvi “bocas” e “provações” enquanto ia na rua.

- Na minha zona ouço de forma regular berros a meio da noite, garrafas de vidro a estilhaçar e acima de tudo, ouço uma catrefada de putos na galhofa uns com os outros, o que geralmente é sinónimo de injúrias corporais. Não foram raras as vezes em que percebi que o meu carro esteve no meio deste tipo de confrontos, tendo encontrado vestígios de ovos partidos e cuspidelas, entre outras coisas, nos vidros.

- Tipicamente os putos andam na rua com um ar gingão como se fossem donos e senhores do mundo, ou de bicicleta, fazendo uma série de razias aos transeuntes com o objectivo de os assustar, nada mais. Depois juntam-se geralmente nas paragens de autocarro onde ficam durante horas sem fazer nada. Se foram do sexo oposto o mais natural é exibirem todo o seu amor logo ali, ou se tiveram mais sedentos, irem para casa procriar contribuindo assim para a realidade expressa nas estatísticas que dizem que o Reino Unido é o pais com maior taxa de natalidade entre os adolescentes na Europa (sem contar com os abortos que se estima acontecer em 50% dos casos). Já agora é importante salientar que 90% dos ingleses (rapazes) perde a virgindade antes dos 15 anos! Outra estatística não muito abonatória para estes lados é que os putos ingleses são mesmo considerados os mais violentos da Europa. (ver artigo: http://news.bbc.co.uk/1/hi/uk/6108302.stm)

- Mais recentemente, e esta foi sim foi para mim a gota de água, numa das viagens pelo Reino fora, foi-nos arremessada uma garrafa de coca-cola de 2 litros (atentem bem: 2 litros!) de um terceiro andar. E não pensem que aconteceu num bairro reles ou numa cidade conhecida por haver muitos distúrbios…aconteceu em Poole que é, ficam a saber, um dos locais em Inglaterra onde o preço das casas é mais elevado. A dita “bomba” foi lançada com o claro objectivo de nos atingir, ou pelo menos de nos sujar, objectivo esse que conseguiu. De imediato olhei para cima a tempo de ver uma cabecinha sorridente esconder-se no interior. Ainda a quente, quis entrar no prédio para tirar satisfações mas depois de muita insistência fui demovido de o fazer, e ainda bem para mim, digo eu.

Posto tudo isto o que aconteceu em apenas 8 meses, sinto-me revoltado. E não pensem que estes putos ou “chavs” de que falo são uma minoria ou que tive azar. Nem vale a pena dizer que estas coisas acontecem em todo o lado, mesmo em Portugal. É certo que em Portugal acontecem coisas até piores mas não com esta frequência e sobretudo, apesar de isso não ser desculpável, os motivos são quase sempre o furto, ao passo que aqui é simplesmente a agressão gratuita como descarga de frustrações. O típico mitra que se vê nalgumas zonas de Lisboa é aqui o característico jovem bife que encarna a geração mtv-hip-hop- yo-tasse como ninguém. Não falta nada desde a calça fato-treino, brincos e colares reluzentes, boné enfiado até meio ou gorro ou capucho e claro camisola larga de preferência de um clube de futebol. Os que pensavam que o retrato do miúdo inglês correspondia ao príncipe William ou o Harry Potter desenganem-se!

Mas qual a explicação para toda esta agressividade? Simples! É imoral e quase que considerado crime bater nos miúdos hoje em dia. Uma vez que nunca apanharam aquelas valentes bofetadas enquanto novos, cresceram pensando que podiam sair impunes de tudo, e saem mesmo porque ninguém lhes faz frente. De resto alguns ingleses mais velhos não escapam deste role de acusações completamente ilesos pois de vez em quando também lhes dá uma travadinha e "cá vai disto"! É sabido que o inglês é tipicamente uma pessoa mais reservada, que não extravasa as suas emoções facilmente, acumulando tudo o que é sentimento negativo. Quando um amigo lhes pergunta como correu o dia ou como está a situação no emprego a resposta é sempre a mesma: “Oh lovely”, “Marvellous” “Couldn’t be better”. Tal como noutros países nórdicos, a grande maioria é incapaz de desabafar os seus problemas. Ao menos o tuga não tem papas na língua e manda logo: “Olha não gosto nada daquela merda” ou “O meu chefe é um cabrão”. Aqui calam-se caladitos, mas quando se sentem sufocados pelas suas próprias angústias, complexos ou frustrações, mandam tudo cá para for à lei da porrada. É triste, mas acontece em muitos casos.

Tenho a convicção que este problema é bastante menor quando se fala de Londres porque obviamente é uma cidade cosmopolita, com muitos estrangeiros e mesmo os ingleses que por lá andam, estão obviamente mais aculturados com outros povos. Mas mesmo lá há problemas deste género. E reparem que não relatei apenas situações que aconteceram no meu bairro ou na minha cidade. Andei por todo país e em todos os sítios encontrei o mesmo tipo de comportamento. É raro, mas de vez em quando lá dou de caras com um puto inglês com boas maneiras e educado. Epah, não estou a pedir para que os gajos me dêem os bons dias quando me vêm ou segurem a porta para me deixar passar nem nada dessas merdas, nem tão pouco me chateia se os gajos se matam ou esfolam uns aos outros, ou se fazem mais sexo 50 vezes ao dia, mas exijo no mínimo que respeitem o próximo.

A única boa noticia é que parece que esta coisa de ser um chav(alo) inglês com mau feitio é passageira porque à medida que vão crescendo, vão ganhando juízo. De resto, são os próprios ingleses a admitir este mesmo problema. Dêem uma vista de olhos nestes artigos que falam acerca desta nova realidade, os “chavs”:
http://en.wikipedia.org/wiki/Chav
http://www.britishcouncil.org/japan-trenduk-chavs.htm
http://www.chavscum.co.uk/
http://www.urbandictionary.com/define.php?term=chav : ler obriga-toriamente! A primeira definição, é de chorar a rir
http://chavstest.com/quiz/index.php : descobre se tens um pouco de chav em ti

Para terminar volto a frisar de que falo apenas de uma franja da população. É evidente conheço muitos bifes porreiríssimos e de boas maneiras, mas não passo um dia em que não tenha que levar com um dos outros cromos e a minha paciência tem limites.

Desculpem o desabafo mas estava na altura…

Friday, July 13, 2007

Buddies Reunited PART II

Isto de conciliar programas com os nossos amigos que nos vêem visitar, enquanto se está a trabalhar durante a semana, tem que se lhe diga. Combinámos que eles andariam por ai a passear pelo sul de Inglaterra com carro alugado e que viriam sair à noite e dormir a Southampton sempre que quisessem. Assim foi. Durante estas passeatas os três cavalheiros aprenderam a jogar golfe e tomaram-lhe mesmo o gosto, de tal forma que quiserem repetir a dose e tiveram umas quantas aventuras tanto quanto sei no que ao alojamento diz respeito. Ficaram também a conhecer a noite de Southampton e o que de melhor ela tem para oferecer, isto é, NADA! Mas como sempre digo, quem faz a noite são as pessoas que nos rodeiam, os nossos amigos, e não a música ou o ambiente. Se bem que estes dois últimos ingredientes sempre ajudam à festa. Por aquilo que já constatei (tirando Londres) nem a música nem o ambiente chegam aos padrões mínimos aceitáveis aqui no Reino Unido. A qualquer lado que vá levo com matulões e matulonas dançando desingonçadamente atirando as pernas e os braços para o ar como se tivessem a ter um ataque de epilepsia. Não quero ser mauzinho, até porque nem todos são assim, mas apanho com cada cromo a dançar que até faz dó. E depois é vê-los espetarem os cotovelos nas costas do sujeito do lado, pisarem tudo e todos, andarem aos encontrões como se tivessem a fugir de uma manada de touros enraivecidos. Se não dançar pelo menos a 2 metros de distância destes cromos, arrisco-me a sair de lá massacrado, isto claro, se alguém não se lembrar entretanto de começar uma rixa, nesse caso as consequências poderão ainda mais nefastas, como por exemplo ser esfaqueado. Ah, e não estou apenas a falar dos gajos, as gajas aqui são tão agressivas quantos os seus pares do sexo masculino. Levam tudo a frente e não se coíbem de passar a mão no traseiro ou peito de um desconhecido como cartão de visita. Mas isso já saberão aqueles que passaram pelo menos um verão nos bares da Oura no Algarve e afins. E a música? Que falta de imaginação e de jeito! É praticamente assegurado que vou ouvir a mesma música em vários bares no mesmo dia, quando não a ouço no mesmo bar e na mesma noite. Não fossem os DJS serem péssimos e notarem-se pela negativa a cada passagem de música, eu diria que todos os bares aqui em Soton utilizariam as mesmas compilações a tocar todos os dias, a toda a hora. Bom, mas voltando à vaca fria. As noites foram muito bem passadas acima de tudo pela companhia, o resto é paisagem. Ainda pudemos festejar os anos do noso buddy HD, apreciar um verdadeiro barbecue britânico sem um único inglês e fazer uma excursão pela magnífica “Isle of Wight”, uma espécie de “Açores” aqui do sítio com a diferença que fica a 30min de ferry do continente, ou melhor da ilha-mãe. Uma referência especial para as 3 meninas que nos acompanharam nesta jornada: 5 estrelas. Aqui ficam algumas fotos desde a saída de Porstmouth com a Spinnaker tower em destaque...




De resto não posso deixar de referir um episódio paranormal que ocorreu na noite de quinta para sexta enquanto jantávamos em minha casa. Antes de prosseguir, é imperativo fazer ainda um flashback (…) Um dia destes enquanto regressava a casa com um amigo fui surpreendido pelo olhar dele pregado e assustado. Perguntei o que se passava e ele limitou-se a apontar para janela de uma casa vizinha. Ao olhar, vi uma miúda de cabelos compridos à janela que podia perfeitamente ser uma miúda normalissima, não fosse o simples facto de serem 2 das manhã, as ruas estarem praticamente desertas e as luzes de casa dela estarem apagadas. Bem, virei as costas e procurei não pensar na personagem tirada de um filme de terror com a qual me tinha deparado (…) Voltando à quinta-feira em causa, uma semana depois deste primeiro incidente, estacionei o carro na rua da minha casa mas um pouco atrás, precisamente à frente da casa onde tinha avistado a tal miuda à janela uma semana antes. Até aqui tudo bem, saímos os 4 do carro com as compras na mão e uma vez que tinha deixado o carro demasiado encostado à entrada da garagem desta casa (este pormenor é importante) voltei a entrar no carro para o chegar mais para a frente. Duas a três horas depois, já de barriga cheia voltámos para o carro para irmos beber um copo. (sinto os pelos a eriçarem-se enquanto escrevo este parágrafo). Ao chegar ao carro, abri-o normalmente, antes de começar a ouvir os meus amigos explicarem que aquele não era o meu carro porque esse estava estacionado no lugar detrás. É evidente que eu melhor que ninguém, sei reconhecer o meu auTBMobile purple ainda que na penumbra. Mas numa coisa eles tinham razão…o carro tinha ficado estacionado exactamente um lugar atrás. E estava trancado, de janelas fechadas e com o travão puxado. Os 4 tinhamos a certeza que o tinhamos deixado exactamente um lugar atrás, colado à entrada da garagem. Procurámos marcas ou qualquer outro sinal exterior que pudesse indiciar que o carro teria sido empurrado para a frente mas não encontrámos nada…assustador? Isto são os factos, a interpretação deixo-a ao vosso critério. Não me considero supersticioso ou vulnerável a este tipo de ocorrências, mas confesso que esta me deixou intrigado. Por vias das dúvidas agora estaciono o carro bem longe dali…