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Friday, September 28, 2007

Glastonbury and Jurassic Coast

Pode não ter praias, bom tempo, boa comida, boa hospitalidade, etc mas se há coisa que este país ainda tem para nos oferecer é HISTÓRIA. Disso mesmo é exemplo este último fim-de-semana.

Aproveitando a deslocação até Yeovil (Somerset) por motivos laborais resolvi desmistificar as terras que um dia foram denominadas de Avalon, uma das, senão a mais importante, lendárias localizações conotadas com Rei Artur e seus camaradas. Há muitos séculos atrás, Avalon era uma ilha, mas entretanto as águas secaram, e hoje em dia as mesmas terras dão lugar à cidade de Glastonbury famosa pela excentricidade dos seus habitantes e claro pelo festival com o mesmo nome que é dos mais famigerados do mundo (http://en.wikipedia.org/wiki/Glastonbury_Festival). Hoje, o símbolo da cidade é o Glastonbury Tor, no cimo do monte, outrora uma ilha, local onde em teoria foram descobertos originalmente os túmulos de Artur e Guinevere (sua esposa). Dizem que se se subir até ao topo pelas 5-6 da manhã nesta altura do ano, se consegue ver a cidade inteira encoberta pelas famosas brumas de Avalon. Claro que não o podemos comprovar porque depois da estica que foi o fim-de-semana anterior, a palavra de ordem neste era: DORMIR! A cidade em si seria normal, não fossem as lojas ou as próprias pessoas serem completamente alternativas. Desde lojas góticas, afrodisíacas, de pedras magicas, de chás e afins, de sementes de cannabis, lojas africanas e asiáticas, templos hindus, budistas ou taoistas (Yin and Yang), famílias inteiras vestidas de preto, hippies e outra malta com a mania do esoterismo, vimos de tudo! Foi sem dúvida a cidade mais…diferente que vi até hoje pelo Reino! Passámos depois na costa Jurássica por entre vilas e cidades à beira mar (Lyme Regis, Weymouth, Isle of Portland, Lulworth Cove) e penhascos do período Cretáceo, recortados pelo mar e acabámos o roteiro com uma ida a Poole e Browsea Island debaixo do maior temporal do ano.


Um beijo especial para a mineirinha mais “porreta” do Reino que viajou sozinha correndo mil perigos, para se juntar a mim nesta jornada ;)

O centro de Glastonbury

O estouvado dono da loja das sementes de Cannabis prontifica-se para nos dar a provar um leite com origem na dita semente

Glastonbury Abbey, para onde foram levados os corpos de Artur e Guinevere (segundo a lenda)

Glastonbury Tor, a antiga e misteriosa ilha de Avalon

Outrora o lago de Avalon, hoje em dia a cidade de Glastonbury, ao fundo...

Apesar da imtempérie que se aproxima, RO está "feliz" :)

Friday, March 9, 2007

Trivialidades ou percepções erradas?

Cartão de telemóvel pré-pago

Assim que cheguei a Southampton fui a uma loja e no meu melhor inglês arrisquei: “Hello, could i have a prepaid phone card, please?”. O senhor respondeu afirmativamente, perguntou-me qual a operadora e entregou-me um papel para a mão. Humm, eu queria mesmo era um cartão pensei…o que faço com um pedaço de papel? Lá percebi que o que ele me tinha dado para era um carregamento, ou seja um top-up. Aqui posso chegar a qualquer loja e pedir um carregamento para o meu telemóvel no valor X. Eles fazem o registo na máquina e entregam-nos um talão com um código que temos que marcar no telefone. Depois de marcado o código ficamos automaticamente com o crédito pedido. Prático, não haja dúvida…mas apenas para quem já tem telefone e cartão! Lá fiquei eu com um carregamento, mas sem cartão para o poder usar…pelo menos já sabia o que pedir quanto quisesse carregar um telefone: TOP-UP

O quê?

Se não percebo alguma coisa quanto estou em Portugal digo: “O quê?”. Para mim é imediato. A tradução quase que inconsciente para o inglês foi: “What?”. Acontece que “What?” é bastante grosseiro e indica que temos dificuldade em acreditar no que nos estão a dizer. Isso já eu sabia, mas é automático, não consigo evitar, sai-me sempre a porra do “What”. Denoto algum desconforto nas pessoas com quem estou a falar quando isso acontece mas enfim…usar o “I’m sorry?” ou “Pardon me?” é passar de grosseiro a menino de coro…para não dizer pior.

Jornal “Sports”

Na primeira semana, quanto ainda vinha de boleia com um colega, costumava sempre passar os olhos pela banca de revistas do dia. A dada altura fiquei intrigado porque havia um jornal chamado “Sports” que trazia sempre na capa uma menina…err...desprovida de parte da indumentária. Pensei que fazia parte da estratégia de um jornal desportivo para vender mais, assim como as revistas de automóveis o fazem. No entanto quando comentei esse assunto um colega ele disse-me que se tratava de uma revista porno! Naturalmente que lhe perguntei o porquê do nome “Sport” ao que ele respondeu: “Porque se se chamasse “Porno” não venderia”…Hummm, está bem…se tu o dizes.

Correio em Southampton

Antes de criticarem os nossos queridos CTT atentem ao que vos digo de seguida. Comprei um carregador \ transmissor fm do Ipod para o carro pelo ebay (que a propósito foi a segunda melhor coisa que inventaram no mundo logo a seguir ao nosso azeite galo ;)) e como é usual, dei a morada de casa para que o item me fosse enviado. Pois bem, os correios vieram, tocaram à campainha…ninguém atendeu. Lembram-se do que tinha falado acerca dos ingleses? Sentido prático. Então não é que o carteiro achou por bem deixar a encomenda à porta de casa na rua (sim relembro que moro numa vivenda)? Pensei que o carteiro estava maluco, mas mais uma vez recorri aos meus colegas para tentar perceber o sistema inglês e logo me responderam que já lhes tinha acontecido o mesmo com uma impressora…lol…quem é que deixa uma impressora na rua? Está tudo doido? Bem, pelo menos aprendi a lição…a partir daí passei a dar a morada do emprego.

Paragens de autocarro

Quando vi uma paragem de autocarro pela primeira vez foi um fartote de rir porque pensei que se tinham enganado e colocado a paragem ao contrário, habituado que estava eu ao nosso querido Portugal. Eis quando senão reparo que todas elas estão ao contrário! Estranho mas ok. Ao segundo dia e com as ruas inundadas devido à tremenda chuvada que se tinha abatido sobre a cidade percebi porquê! Estava eu fora da paragem tranquilamente à espera do autocarro, quando um camião daqueles bem largos passa pela zona da paragem e levanta uma onda gigante que se encaminha para a paragem! Só tive tempo de mandar um salto e enfiar-me dentro da paragem juntamente com as outras tristes almas que ali se protegiam da água cuspida pelo camião. Duh! A paragem está construída para evitar que as pessoas levem banhos de água cada vez que passa um carro. Sempre a aprender…


Fag

Alguém sabe o que quer dizer “fag” em inglês? Bem, eu pensava que sabia até há pouco tempo(Fag=Gay). Num destes dias entrei num pub e fui abordado por inglês. Para além de ter uma pronúncia qualquer cerrada, estava bêbado que nem um cacho e por isso mesmo não percebi nada do que ele disse…excepto uma palavra. Então foi do género, virou-se para mim e despejou: “Bla bla bla, bla bla FAG bla bla bla??” Claro que eu pus a minha expressão nº49 com as sobrancelhas bem arqueadas e queixo cerrado e preparei-me para pior. O homem ainda fez um gesto como que a levar algo à boca, o que não melhorou a situação, pelo contrário, podem imaginar o que eu pensei que ele estivesse a imitar. Respirei fundo…virei as costas e arrepiei caminho sem olhar para trás….estava furioso, não desculpem estava mesmo f**ido! Então o c**rão diz-me aquilo assim do nada? Passei-me….Noutro dia vim a saber que “Fag” no UK quer dizer cigarro.

Monday, March 5, 2007

Ponto de situação - 1 mês de vida

São 23h, vou para a cama...estou de rastos. Há muito para dizer mas pouco tempo para escrever. Amanhã sigo para Londres para ver o meu fê cê pê contra um tal de um clube de bairro :p Prometo escrever o que está em falta até ao final da semana.
Entretanto queria apenas fazer um breve ponto de situação relativamente ao blog. Quero agradecer os comments e pedir-vos que continuem a fazê-los pois é a única forma de eu saber que alguém de facto se interessa por ler as baboseiras que para aqui escrevo e por isso mesmo, uma motivação adicional para continuar a escrever. De resto, doravante não vou mencionar mais nomes verdadeiros por questões de privacidade. Os meus housemates chamaram-me à atenção para os conteúdos em que os descrevia e apesar de não passarem disso mesmo, de descrições, e de não terem a meu ver nada de ofensivo, resolvi apagá-los. Assim, parte do post "Here i am" foi censurada...as minhas desculpas.
Despeço-me na certeza que todos os que estão em Portugal hoje estão bem melhor do que eu! Aqui está chover a potes....ou em inglês, está a chover cães e gatos! ;))

Saturday, March 3, 2007

Southampton\UK visto à Lupa

Prometi uma abordagem mais pormenorizada sobre a cidade e os hábitos dos ingleses. Pois bem, neste post procuro fazer isso mesmo, dando obviamente mais ênfase às situações que mais estranhei, ou se quiserem, e utilizando um termo familiar para quem frequentou o CGI, as situações que originaram um choque cultural.

- Tempo
Céu cinzento, cinzentão, sempre, e ora chove ora chove! Não há grandes variações, pelo menos para já. Talvez seja por isso que toda a gente seca a roupa dentro de casa e\ou nos radiadores. Nos supermercados podemos encontrar soluções várias, desde o típico mini-estendal móvel bem como aplicações que se prendem ao radiador para secar roupa…eu já comprei o meu e tu? :D Ficamos à espera do Verão para ver se tenho que rectificar este post…

- Os habitantes
Para meu espanto e prova em contrário posso afirmar que a maioria dos ingleses que encontrei na rua ou nas lojas são muito simpáticos e atenciosos, ok tirando uma gorda parva que trabalho Woolworth! No geral respondem sempre com um sorriso na cara e pacientemente a todas às minhas perguntas e acreditem que algumas devem ter sido bem parvas. Situações houve em que ao verem-me simplesmente a olhar para o mapa com ar de perdido, vieram ter comigo a perguntar se precisava de ajuda, e não foram uma, nem duas mas três vezes logo no primeiro dia. Cheguei a fazer parar carros cujos condutores se disponibilizaram para me explicar o caminho com uma paciência tremenda. Imagino se fosse em Portugal: “Oh Manel! Prego a fundo e passa por cima!”. Nas lojas, mesmo com outros clientes à espera, nunca vi os “cashiers” fazerem má cara. Em Portugal as senhoras das caixas registadoras parecem-me que estão sempre com o período e que toda a gente lhes paga e ninguém lhes deve! Mas também nem tudo são rosas…há outros ingleses, sobretudo os sub-20, que tem um ar de azeiteiros do pior. Ou seja, primeiro parece que não lavam o cabelo à 1 semana e depois andam na rua com o fato-treino. O típico mitra tuga aqui não metia medo a ninguém, porque todos os putos ingleses andam assim na rua. Ah e não falta o boné e o “téni” branco. De resto, Southampton é também uma cidade muito cosmopolita. Vê-se um pouco de tudo na rua, mas sem sobram de dúvida que tenho visto muitos orientais, vulgo termo “Chinocas”, sem qualquer sentido perjurativo. Se é verdade pelas estatísticas que um em cada dez são polacos, então nove em cada dez são chinocas!! Pelo menos nos meios onde ando, vejo-os “aos molhos”…como não querem a coisa vão-se infiltrando no mundo ocidental ao milhares e quando dermos por ela, tomam de isto tudo de assalto! Lol…

- Alimentação
Os ingleses comem mal. Não é uma critica, é um constatação…no outro dia li no jornal inglês que as “As inglesas são as pessoas mais gordas da Europa” (já agora para os mais curiosos as italianas são as mais formosas :p). Não há grandes mistérios neste facto. A alimentação britânica começa com um típico pequeno almoço britânico (bacon and eggs) e acaba sempre com algum prato pré-cozinhado comprado no supermercado com gordura a potes! De resto tudo o que eles metem ao bucho é aqui é frito! Não conhecem o termo cozido ou grelhado. Nos primeiros dias em que estive na casa provisória fui sempre comer fora porque obviamente não tinha alimentos ainda em casa. Cheguei a ir a um Fish N’ Chips (prato típico aqui como julgo que devem saber) versão fast food, recomendado pelos housemates da altura. Os donos do restaurante eram….chineses claro está! Não poderia ser de outra forma, quem mais poderia confeccionar um prato tipicamente inglês? Pedi para levar para casa (aqui é quase tudo take away, por isso mesmo que quisesse comer ali não podia) e rezei para que aquilo que estava por baixo da camada godurosa de 2cm de gordura, fosse efectivamente peixe. Quando tirei o “dito” para fora da embalagem ainda pingava óleo e as batatas fritas, essas deviam ter vindo directamente do quintal, de tão fraca a qualidade. Enfim, pensei que nunca mais ia comer Fish N’ Chips até na semana seguinte o meu colega Peter me ter levado a um Pub à séria para almoçar: arrisquei pedir um fish n’ chips e desta vez sai-me bem! Estava 5 estrelas…mas gorduroso claro!

Algo que me fez bastante confusão logo no inicio foi o facto de os ingleses no geral não almoçarem. Acaba por ser positivo em termos de produtividade mas acho que com o tempo deve levar um gajo à loucura. O que é feito daquele convívio tão tipicamente português no restaurante com mais 5 ou 6 colegas a conversar sobre a derrota do Benfica na noite anterior ou no caso de serem meninas, de como a Rita parece tão mais gorda ou a Josefina andar a dormir com o patrão? O que é feito do café tipicamente tomado noutro sitio diferente do almoço? (por falar nisso o café aqui é péssimo…parece água de lavar pratos) O que é feito da voltinha a seguir ao almoço pelas lojas do chiado para fazer a digestão? Pois é…aqui temos mesmo que trabalhar!! Tipicamente come-se uma sandes, enquanto se prepara a reunião da tarde ou traz-se uma sopita de casa ou uma tarte, mas não se perdem mais do que 10m garantidamente. Ganha o patrão no final do mês!

De resto a comida que encontro no supermercado é muuuuuuuuuuito diferente da nossa. Exemplos concretos: a margarina é branca como a neve, não há pescada nem outros peixes tipicamente portugueses, o peixe mais consumido é o “Cod” (Bacalhau) mas fresco e não salgado como o nosso; os ovos são miniaturas, o azeite então é para esquecer! E permitam que disserta um pouco sobre este óleo tão apreciado em Portugal e que tantas saudades me traz. Aqui o a azeite é pálido, cheira-me que deve ser diluído ou outra coisa qualquer. De qualquer forma o que vos quero contar é uma situação que me deixou completamente à nora durante os primeiros 3-4 que cozinhei. Efectivamente. confeccionei alguns pratos com muito carinho e amor, mas no final…todos sabiam ao mesmo: TERRA. A salada sabia a terra, as couves sabiam a terra, as batatas sabiam a terra…porra até o arroz sabia a terra! Estava a desesperar…eis quando senão tive a brilhante ideia (ao quarto dia apenas!) de deitar os beiços à garrafa de azeite e provar: TERRA!...sabe a terra pois…claro que não era terra, mas sim uma porcaria qualquer de uma erva aromática. Para todos os efeitos, para mim sabia a terra. Azeite no lixo…e venha o próximo, italiano, melhor mas não é igual ao nosso azeitinho galo a cantar desde mil e oitocentos e troca o passo…

Finalmente e para encerrar este capitulo da alimentação que já vai longo…uma nota para a validade. Tudo aqui tem validade de 2-3 dias. Até irrita! Obriga a estarmos sempre a ir ao supermercado (deve ser esse o truque) ou então a ter que congelar as coisas. Os supermercados têm inclusive uma secção em que apenas vende comida que está em vias de expirar o prazo de validade por metade ou um terço do preço. Com alguma sorte encontram-se algumas pérolas como camarão ou morangos a metade do preço!

- Cidadania
Duas notas rápidas apenas porque este post já vai longo….
Felizmente aqui as pessoas de idade ou os deficientes motores têm condições para poder frequentar os mesmo locais que todos os outros. Em cada rua, em cada centro comercial ou em cada em empresa, vêm-se casas de banhos, rampas de acesso, etc. especialmente concebidas para os debilitados fisicamente. Impressionou-me ver no centro comercial (West Quay) uma rampa que para vencer a inclinação ocupava uma área impressionante. Estou mesmo a imaginar se fosse Portugal: “Oh shõr engenheiro, não devíamos pôr ali uma rampa para os deficientes motores” ao que o outro responde “Meu caro amigo, nesse espaço conseguimos pelo menos pôr 10 lojas, 5 ATMs e com um bocadinho de sorte um ecran gigante para a malta poder ver os jogos do benfas no domingo à tarde!”…Bem visto shôr engenheiro…
Por falar em pessoas de idade, aqui acabam por se tornar pessoas mais activas e independentes. Por vezes vou na rua e sou ultrapassado por estes “senior citizens” a grandes velocidades ora pela direita ora pela esquerda, neste carrinhos eléctricos engraçadíssimos. Enfim, por vezes o trânsito é mais intenso nas passadeiras, com os peões, bicicletas e carrinhos eléctricos no que na estrada propriamente dita. No outro dia consegui fotografar uma destas giringonças…














Desculpem o post longo….entusiasmei-me ;)